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Quanto vai custar a migração para Windows em Munique?

A cidade de Munique prepara-se para desperdiçar mais de 100 milhões de euros, na migração do LiMux para Windows revertendo um processo de 15 anos que substituiu o software proprietário por software de código aberto!
Em 2003 votaram para migrar para uma versão personalizada do Ubuntu Linux chamado LiMux e personalizar documentos digitais para serem compatíveis com o LibreOffice. 
Recentemente decidiram que Munique mudará cerca de 30.000 PCs para o Windows 10 e eliminarão o Linux até o início de 2023, processo que custará à cidade cerca de €50 milhões, e muito provavelmente mais de €50 milhões para a migração do LibreOffice para o Office da Microsoft.
Estes €100 Milhões tem apenas a haver com as questões de licenciamento, não estão incluídas as questões de suporte e muito menos a conversão dos documentos, macros, e outros softwares actualmente necessários.

Aqueles que suportam o migração dizem que o Windows 10 resolverá problemas de compatibilidade com aplicações e controladores, por outro lado os oponentes dizem que é loucura pagar duas vezes por uma migração dispendiosa que levará anos para completar.

Por que não apenas resolver a desorganização interna de TI?

O que município de Munique fez foi levantar dúvidas e pôr em causa a utilização do LibreOffice e software livre, o que é contrariado por grandes organizações que implementaram e usam software livre em números muito superiores aos do município de Munique. 

Veja aqui uma lista que é mantida pela The Document Foundation, a organização por trás do LibreOffice.
Matthias Kirschner, presidente da Free Software Foundation Europe, diz que esta lista continua a crescer, e que "...quase todas as duas semanas há um novo exemplo de software livre que é utilizado numa grande organização".
Por Exemplo:

  • A guarda nacional francesa trocou 70 mil PCs para o Gendbuntu, uma versão personalizada do sistema operativo Linux Ubuntu.
  • 15 ministérios franceses mudaram para o LibreOffice.
  • O Ministério da Defesa holandês passou para o LibreOffice.
  • O Ministério da Defesa da Itália trocará cerca de 100.000 desktops do Microsoft Office para LibreOffice até 2020.
  • Os hospitais de Copenhaga trocaram 25.000 PCs do Office para o LibreOffice.

Consideremos também a cidade de Roma, que está a instalar o LibreOffice em todas as suas 14 mil estações de trabalho do PC em toda a cidade. Em 2018, Roma executará um teste piloto para testar o uso de estações de trabalho Linux.

O que prova que o Linux e LibreOffice não será provávelmemte a causa das incompatibilidades invocadas.

6162-linux-or-windows.png

O rollback só do LibreOffice em Munique envolverá gastos superiores a €50 milhões para reestruturar o departamento de TI da cidade de forma a torná-lo mais eficiente. 
"Um especialista independente deve estimar os custos de acompanhamento da migração de vários milhares de macros, formulários e modelos antes de uma decisão do conselho da cidade"
"Se o conselho da cidade decidir mudar o Microsoft Office, o Partido Verde actualmente estima que o orçamento total será de mais de € 100 milhões". 
O Partido Verde foi um dos que votaram a favor da continuação do Linux.

Determinar o custo total de propriedade (TCP) entre software proprietário e de código aberto é um processo complexo, deverão ser avaliados os custos de administração e actualização, suporte técnico e custos de operação do utilizador final. Os resultados obviamente variam de empresa para empresa, administrações públicas ou outras entidades.

Alguns dos parametros que deverão ser observados e utilizados para obter um valor para TCP são:

  • Licença de software (ou falta dela)
  • Custos de suporte
  • Custos de migração - hardware, aplicações, serviços
  • Desenvolvimento, teste e implantação de correcções.
  • Integração - entre windows, Linux, software de código aberto, software proprietário, etc.
  • Formação

Mas não acredito que se possa comparar de forma fiável o TCP do Windows versus o Linux pois a maior parte dos dados actualmente disponíveis são criados por empresas de software proprietárias e, como tal, poderão ser tendenciosos, assim sugiro que se façam valorizações independentes de TCP caso a caso.

Mas estamos em 2018 e o mundo muda muito rapidamente, o que faz com que o Linux, Windows ou qualquer outro sistema operativo importem cada vez menos num mundo de "cloud", pois a maioria dos serviços passa a ser acedido através de navegadores, consequentemente e ironicamente a "cloud" reinicia os mesmos velhos argumentos de independência... e segurança...
Quero dizer com isto que os dados são armazenados em computadores de outros com poucas perspectivas de independência, restrições ao controlo e prácticas de segurança que levantam no mínimo muitas questões... (veja este meu artigo)

 

Espero que este artigo lhe tenha sido útil!

Até à próxima!

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